Sedese incentiva formalização de grupos produtivos em Muriaé

Sedese incentiva formalização de grupos produtivos em Muriaé

Para ajudar grupos produtivos de 40 municípios a se estruturarem e se formalizarem, a diretoria regional da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) de Muriaé, na Zona da Mata, faz um mapeamento de todas as entidades, associações e demais grupos produtivos na região. O objetivo é assessorar esses grupos, que podem ser, por exemplo, de catadores de materiais recicláveis, produtores de peças artesanais, entre outros, e auxiliá-los a se tornarem organizações estruturadas.
Segundo a diretora regional da Sedese, Ana Maria Reis, o trabalho começou a ser feito em Muriaé, mas a expectativa é estendê-lo a todos os municípios da região. “Para a maioria dos produtores, artesãos, entre outros grupos produtivos, principalmente no meio rural, esse trâmite burocrático da organização é muito difícil, como, por exemplo, a parte documental e cartorial. A ideia é orientá-los para fortalecê-los”, explica.
A ação está sendo feita em três etapas: primeiramente, a diretoria realiza o mapeamento dos grupos produtivos na cidade. Na sequência, é marcada uma visita da equipe técnica para diagnóstico da entidade. Por fim, na terceira etapa, acontece o assessoramento aos grupos que, em uma das frentes do trabalho, pode ser para eles se estruturarem enquanto associação ou Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), entre outras instituições legalmente constituídas.
“Muitas vezes, o grupo tem matéria prima, mão de obra, estrutura, mas, por não ser reconhecido como instituição, não tem facilidade para conseguir linhas de financiamento de crédito, ou não pode emitir nota fiscal, o que dificulta a comercialização”, ressalta Ana.
A Sedese apresenta aos integrantes o que caracteriza cada tipo de entidade e, após a definição do melhor formato, orienta ainda sobre a documentação necessária, como modelos de estatuto, regimentos e o que é preciso registrar em cartório.

Benefícios vão além dos financeiros


Uma vez estruturados, orientados e capacitados, os grupos podem acessar linhas de financiamento, emitir nota fiscal e participar de editais para acessar recursos públicos e privados. Porém, o maior benefício é o fortalecimento do grupo enquanto liderança local, com melhora da autoestima dos integrantes.
Em Macuco, pequeno distrito de Muriaé, um grupo de produtoras de trapo, produzido a partir de excedentes de confecções, aumentou sua renda e produção após receber o assessoramento.
“A principal diferença foi que elas se fortaleceram como protagonistas da própria história e, com isso, passaram a ter uma perspectiva de futuro, com planos de ampliar a produção e comprar mais máquinas. Antes, elas estavam estagnadas e ociosas”, diz a técnica do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) na região, Paula Werneck, que acompanha o grupo.
Dona Rosa, de 66 anos, é uma das 25 mulheres trapeiras do grupo. “Eu tinha depressão, e o trabalho aqui melhorou muito a minha vida. Agora, vamos aprender a fazer tapete e tricô também. As coisas estão melhorando para nós”, relata. A associação, que ainda não está formalizada, hoje vende tudo que produz para um cliente que fornece o trapo para a Petrobras.

Apoio em diversas frentes


De acordo com a diretora regional da Sedese de Muriaé, Ana Maria Reis, o papel da secretaria vai além, ao buscar apoio nas prefeituras, identificar possíveis pontos de comercialização e orientar sobre captação de recursos.
É o caso da Associação de Economia Solidária (EcoSol) de Cataguases, que, com a ajuda da Sedese, está se preparando para levar seus produtos para Juiz de Fora, cidade próxima. “Antes estávamos restritos a Cataguases, mas tínhamos o sonho de conseguir comercializar mais, para outros municípios. Agora, estamos nos organizando para, no próximo ano, participar da feira regional de economia solidária em Juiz de Fora”, diz a coordenadora da EcoSol, Elizabeth de Almeida Silva.
Outra frente do trabalho é orientar associações que já estão estruturadas, mas com registro desatualizado, CNPJ sem atividade, entre outros. “Queremos conhecer a realidade destes grupos. Muitos estão frustrados por terem anos de oferta sem um retorno palpável, e, de repente, isso pode ser mudado”, diz Ana Reis.
A ação da Sedese Muriaé é oferecida dentro do serviço de convivência e fortalecimento de vínculos ofertado nos Cras da cidade. Os grupos interessados podem procurar a secretaria para receber o assessoramento gratuito.

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