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Custos de desastre da Samarco podem ser divididos entre Vale e BHP

Custos de desastre da Samarco podem ser divididos entre Vale e BHP

Caso a Samarco não consiga arcar com os custos do desastre ocorrido em Minas Gerais, a Vale e a BHP, os acionistas controladores da empresa, vão dividir os custos em partes iguais, afirmou o consultor geral da Vale, Clovis Torres. Clovis disse que não se tem um número de eventuais custos e gastos, seja por uma ordem judicial ou uma multa do governo. O consultor disse, entretanto, que a Samarco não é "uma empresinha qualquer, não é um botequim", mas uma companhia de US$10 bilhões e que fatura US$2 bilhões por ano. Sobre aumento de provisões no balanço da Vale, o executivo disse que enquanto não se tiver uma ideia mais clara dos valores envolvidos, não se fará provisão.
A Vale está investigando o caso de forma independente e vai levar o "tempo necessário" para apurar e ter convicção dos responsáveis pelo caso, disse o presidente da companhia, Murilo Ferreira. "Ainda não transcorreu um mês do evento. A principal preocupação tem sido humanitária", disse.
O presidente da Vale começou a coletiva falando do acidente em Mariana (MG), assim como iniciou a apresentação para investidores, ressaltando as mortes, os desabrigados e os "efeitos importantes" no meio ambiente. "Temos convicção de que o time da Vale dará todo o apoio para a Samarco", afirmou.
A empresa ainda não foi notificada oficialmente sobre a ação judicial movida pelo governo e não sabe sobre seu conteúdo, disse o executivo. A Advocacia Geral da União quer a criação de um fundo de R$20 bilhões pela Vale, a BHP e a Samarco, e deu entrada com uma ação na segunda-feira, 30. Ferreira disse que ficou sabendo mais detalhes da ação por meio da imprensa.

Lama

A extensão da pluma (mancha de lama) na superfície do oceano no Espírito Santo é maior do que a encontrada no fundo. Levantamento feito pela Marinha informa que os pesquisadores identificaram na água partículas finas em suspensão, entre 0,45 e 5 milésimos de milímetro. A dispersão da lama é complexa e influenciada principalmente pelos ventos, pelas correntes, marés e a batimetria (profundidade).
A Marinha apresentou o relatório preliminar dos impactos no litoral do Espírito Santo, na Foz do Rio Doce, da lama com rejeitos de minério que vazou do rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG). O levantamento está sendo feito pelo navio de pesquisa Vital de Oliveira.
Do dia 26 de novembro até essa segunda-feira, 1º, os 130 profissionais embarcados definiram a área de influência e os parâmetros físicos, químicos, geológicos e biológicos de maior relevância para caracterização. Segundo a assessoria da Marinha, ainda não há resultados sobre a toxicidade da lama que foi para o oceano. As conclusões serão divulgadas após análises das amostras em laboratórios, que devem durar cerca de três semanas.
A segunda etapa do levantamento já começou e vai até o próximo dia 5, quando será feito o detalhamento da área de influência e dispersão da lama e a representatividade espacial e temporal das análises feitas na primeira etapa.
Segundo a Marinha, nesta primeira etapa, foram definidos 21 pontos de coleta dentro da área preliminar de caracterização. Em alguns pontos, as análises ocorreram em mais de duas profundidades. No total, foram coletadas 391 amostras de água e sedimento que compreendem 350 litros de água e 65kg de sedimentos, aproximadamente.

Mariana

A Samarco só conseguirá voltar a operar a unidade de Mariana depois de fevereiro do ano que vem, conforme informações do diretor de Fiscalização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) Walter Lins Arcoverde. Arcoverde participou ontem, 1º, de sessão da comissão extraordinária da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em Belo Horizonte para discutir a queda da represa da mineradora. O tempo foi previsto com base em obras que precisariam ser feitas no complexo depois do desastre ambiental.

(Fonte Agência Brasil/Agência Estado)

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