Menos de 30% dos juiz-foranos foram aprovados em exames de direção em 2015

Menos de 30% dos juiz-foranos foram aprovados em exames de direção em 2015

Cerca de 75% dos candidatos que tentam tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Juiz de Fora são reprovados, de acordo com o departamento de Estadual de Trânsito (Detran). Dos juiz-foranos que tentaram se habilitar para dirigir carros entre janeiro e outubro, 74,8% não foram aprovados.
O percentual não atinge a meta de 60% de aprovações exigida pelo Conselho Nacional de Trânsito para manutenção dos Centros de Formação de Condutores. No entanto, para o delegado regional de Juiz de Fora, Luciano Vidal, a média de reprovação não é alta somente em Juiz de Fora. “Na maioria das cidades do estado o índice de aprovação para a categoria B neste ano ficou em torno de 25%. Na categoria A, o índice é de 37% de aprovação, aproximadamente”.
O delegado afirma que a maior causa de reprovação dos candidatos no exame de habilitação é o nervosismo. “A gente nota que as pessoas estão abaladas psicologicamente, ficam nervosas, não dormem na noite anterior. Outra coisa que notamos também é que as pessoas costumam fazer o mínimo de aulas e já se consideram aptas a fazer o exame”.
Segundo Vidal, o fato de estar tentando pela primeira vez pode influenciar na reprovação ou na aprovação do candidato diretamente. “Essa parte é interessante, porque muitas pessoas que fazem o exame pela primeira vez se sentem mais confortáveis do que aquelas que fizeram pela quinta ou sexta vez. Às vezes, uma pessoa que já repetiu se sente mais pressionada a conseguir passar no exame, mas isso depende de cada indivíduo”.
O delegado ainda orienta para o número de aulas práticas que devem ser feitas, pois é preciso atenção na hora do exame. “É preciso ser criterioso no exame como a lei prevê, e pensar na integridade física do condutor e do pedestre. Não é que o exame seja rigoroso, mas existem consequências futuras que devem ser levadas em consideração, pois atingem as ruas da cidade”, explica.
A orientação para aqueles que estão fazendo os exames é trabalhar o psicológico, para não ficarem tão nervosos. “O indivíduo que vai fazer o exame deve colocar na cabeça que é apenas um exame, não vai ser a última vez que ele vai fazer. Se ele não passar, tem a oportunidade de fazer novos exames. É necessário também tentar desenvolver na prova o que ele aprendeu nas aulas de rua, e só marcar a data da prova quando estiver preparado e tranquilo, confiante em si mesmo, e tentar descansar no dia anterior”, destaca o delegado.
Monise Vieira, jornalista, tentou fazer o exame por cinco vezes, e conta que a dificuldade maior que ela enfrentou na prova foi a cobrança excessiva dos instrutores. “Fui mais cobrada por coisas que, muitas vezes, não utilizamos na prática. Sabemos que têm alunos que sabem dirigir há anos e reprovam por coisas muito bobas, o que não era o meu caso, pois eu estava realmente aprendendo a dirigir”.
Para Monise, as aulas eram curtas e muitas vezes o tempo era perdido com o deslocamento ao local de prova. “Nas aulas, o que me incomodava era o tempo. Cada aula tinha uma hora e tínhamos que nos deslocar até os bairros onde acontecem as provas, e nesse caminho perdíamos muito tempo, o que acabava me prejudicando”.

SIMULADORES


Luciano Vidal ainda explica a questão da obrigatoriedade dos simuladores, que pode ajudar aqueles que fazem o exame pela primeira vez. “Primeiro, o aluno vai ter a possibilidade de se adaptar às condições de dirigibilidade, sem ir para a rua de forma imediata, além de ter oportunidade de vivenciar cenários que, talvez, na rua ele não tivesse condições, como neblina e chuva. Acho que isso pode dar mais tranquilidade para o aluno, para que ele se sinta mais confiável ao fazer o exame”.
A obrigatoriedade dos simuladores, de acordo com o delegado, será exigida somente a partir de janeiro do ano que vem, mas Monise afirma que, para ela, o equipamento ajudaria, caso fosse obrigatório na época em que ela foi habilitada. “O simulador deve ajudar sim, eu gostaria de ter tido essa experiência na minha época”, finaliza.

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