Servidores em Saúde indicam possibilidade de greve

Servidores em Saúde indicam possibilidade de greve

Servidores que prestam serviços à Saúde em todo estado podem entrar em greve no dia 25 de abril. A movimentação para a paralisação deve ser definida em reunião a ser realizada na Cidade Administrativa, na capital do Estado, Belo Horizonte, no próximo dia 19. O indicativo é uma maneira de as categorias se manifestarem sobre uma série de pautas que foram encaminhadas ao governo estadual desde o início da atual gestão, mas que até agora não obtiveram respostas.


De acordo com o diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), Renato Barros, os itens encaminhados por meio de documento ao governo tiveram sinalização negativa. A resposta tem como argumento o ferimento à Lei de Responsabilidade Fiscal, e por conta disso, as reivindicações não poderiam ser atendidas.


“Solicitamos que a nossa Data Base fosse reposta com a inflação, sem abrir mão, já que ficamos 12 anos sem qualquer reajuste e nos são oferecidas gratificações para abonar essa reposição da inflação. O que queremos é abrir a discussão que se deve fazer no âmbito de todo o conjunto de atividades”, explica Barros.


Segundo Barros, a iniciativa pode atingir a 32 mil trabalhadores em todo o estado. Os trabalhadores fixaram o dia 19 como prazo final para uma resposta do Governo. Por conta disso, o estado agendou uma reunião de negociação para o mesmo dia, no gabinete do secretário estadual de Saúde. “Esperamos que o governo tenha a sensibilidade de apresentar posições concretas e não justificativas, porque não queremos chegar a um movimento grevista que vá impactar na assistência à saúde em todo o estado. Pedimos que o governo atenda a pelo menos um dos itens da pauta de reivindicações. Caso não recebamos uma resposta satisfatória, a partir do dia 25 entraremos em greve por tempo indeterminado”, destaca.


O diretor regional do Sind-Saúde, Bismarck Grossi, reitera que nenhuma das pautas levadas ao governador foram atendidas. Ele também destaca que um dos pontos mais importantes do documento é o que diz respeito à redução da jornada para 30 horas semanais. “O governador assinou um documento que, se ganhasse a eleição, iria atender às nossas reivindicações e até agora nada. Estamos pleiteando essa redução, mas ele negou por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Quanto ao plano de cargos, nomearam três pessoas e pediram a indicação de três sindicalistas para discutir um plano que está pronto”, comenta.


Ainda de acordo com ele, os trabalhadores enfrentam uma série de dificuldades. “Está tudo atrasado. Se o servidor pede a aposentadoria, demora um ano para que isso seja publicado. Não dá mais para seguir sem definir essas questões que estão na pauta”, disse Grossi, ele ainda informa que uma van deve sair levando representantes locais para a assembleia do dia 19.


Para Barros, o momento que inclui epidemias é complicado para o impacto que uma greve pode causar. “Imagine um Pronto Socorro em Belo Horizonte, com mais de 4 mil trabalhadores, em greve. Ainda mais com as epidemias de dengue,Zika vírus, H1N1,o atendimento à saúde vai sentir diretamente os efeitos da não negociação. Só serão atendidas emergências em todas as áreas, caso elas aconteçam. Contamos com a ajuda de toda a população para sensibilizar os gestores para uma solução concreta, porque sabemos que os cuidadores atendem à população, mas quem cuida dos cuidadores?”.


De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), em nota, na reunião realizada nessa terça-feira, 12, foram acatados importantes pleitos da entidade. “Foi concedido auxílio-creche para os servidores da Escola de Saúde Pública (ESP); extensão do pagamento da gratificação complementar para todos os trabalhadores da Unimontes, tão logo o Governo do Estado não esteja mais sob as vedações da Lei de Responsabilidade Fiscal; retorno das promoções e progressões da carreira a partir do mês de abril deste ano; e extensão do abono incorporável aos bolsistas da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). As demais reivindicações estão sendo analisadas e serão novamente debatidas na próxima reunião com representantes do Sind-Saúde, que deve acontecer até a próxima semana”.


Em Juiz de Fora, servidores que atuam no Hospital João Penido, da Fundação Hemominas e da Gerência Regional de Saúde, conhecida como Palácio da Saúde, podem aderir à decisão. O maior impacto, segundo Grossi, pode acontecer no João Penido,o qual faz parte da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que tem uma quantidade maior de servidores. O Diário Regional tentou contato com as três entidades, no entanto, até o fechamento desta edição, a única que respondeu à solicitação foi a Fundação Hemominas.


O órgão estadual esclarece que vem se reunindo com os representantes dos servidores e do Sindicato. Nessa quinta-feira, 14, houve mais uma reunião onde os servidores da Hemominas comunicaram à direção que, em assembleia, os servidores da saúde decidiram não fazer greve. “A maneira que resolveram para participar do movimento será com paralisações pontuais, com manutenção dos serviços estratégicos para que não falte atendimento ao doador e para que não falte sangue”, diz a nota.

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